O Não Me Deixes – Livro de Culinária de Rachel de Queiroz

Sempre que vou ao Brasil passeio pelos sebos em busca de livros de culinária e história da gastronomia. Já comprei muita coisa boa mas dessa vez encontrei uma verdadeira relíquia, algo inesperado que eu nunca tinha ouvido falar. Trata-se de um livro de receitas  de ninguem menos que Rachel de Queiroz.

O Livro chama O Não Me Deixes.

Livro O não me deixes
O livro apresenta preciosidades da cultura nordestina, fala sobre os muitos ingredientes típicos da região e dá várias receitas. Todas elas aprendidas no Não me Deixe, antiga fazenda de família da escritora no Ceará.
Numa mistura de lembranças e culinária, o livro fala de costumes do povo sertanejo e também seu talento para cozinhar.

Rachel de Queiroz é considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras. Muitos de seus romances tiveram como temas o nordeste brasileiro e seu povo, vítima da seca e da miséria. Este cenário foi responsável pela criatividade da gastronomia sertaneja, rica em adaptações, para driblar a escassez de recursos.

O livro destaca ingredientes típicos da região, como a farinha de mandioca, que “para o nordestino, ocupa o mesmo lugar que o pão nas outras culturas. É indispensável à mesa do rico e à mesa do pobre”. Receitas que já conquistaram o Brasil, como o Baião de dois, a Frigideira de Siri e Bolo de Milho, e muitos outros pratos.

Aqui segue uma receita do livro que ainda não fiz, mas que pretendo fazer assim que possivel, lhe transmito exatamente como esta no livro (quem sou eu para mexer num texto de Rachel de Queiroz)

Frigideira de Siri ( Pode ser tambem de camarão ou bacalhau)

Para meio quilo de carne de siri, costumo usar oitos ovos. O siri deve ser refogado em azeite doce e temperos (cebola, alho, leite de coco e, querendo, um pouco de azeite de dendê).
Batem-se primeiro as claras e depois as gemas, põem-se uma pitada de sal e uma colher de farinha de trigo para encorpar.
Mistura-se no fogo o refogado com os ovos, deixando-se de parte um pouco deles, o suficiente para cobrir o prato. Põe-se a mistura numa fôrma de vidro e cobre-se com o restante dos ovos.
Enfeita-se com azeitonas, rodelas de tomate e lascas de pimentão.
Leva-se ao forno para dourar.

(Se de bacalhau, o peixe tem que ser dessalgado e desfiado, se de camarão, os camarões devem ser pequenos, inteiros e descascados.)

Rachel de Queiroz, por Edu Simões (1997)

Pra quem não sabe quem foi Rachel de Queiroz: nasceu em 17 de novembro de 1910 em Fortaleza, Ceará. Ainda não havia completado 20 anos, em 1930, quando publicou uma modesta tiragem de O Quinze, seu primeiro romance. Mas tal era a força de seu talento que o livro despertou imediata atenção da crítica de todo o Brasil. Em 1931 mudou-se para o Rio de Janeiro, mas nunca deixou de passar parte de seu tempo em sua fazenda “Não me deixes”, no sertão cearense. Rachel se dedicou ao jornalismo, atividade que sempre exerceu paralelamente à sua produção editorial. A escritora era comunista, foi presa por isso, depois apoiou uma fase da ditadura brasileira. Era uma pessoa contraditória. Mas, uma escritora de qualidade inquestionável,  foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977. Rachel de Queiroz faleceu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 4 de novembro de 2003.

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